Uma história real de superação do câncer de mama
Em 2013, diagnostiquei um caso muito interessante de paciente com câncer de mama. Na época, a mulher tinha 35 anos de idade, era recém-casada e estava tentando engravidar. Foi ao consultório do ginecologista para um exame de rotina e descobriu um câncer de mama de 8 cm com metástases para os gânglios da axila.
Ela ficou desesperada. Era uma mulher jovem, em plena capacidade profissional, cheia de sonhos… E descobriu que estava gravemente doente, que poderia perder a mama. Buscou assistência médica especializada e por fim, me escolheu para ser seu médico. O desejo de viver e de superar adversidades desta paciente me marcou.
O tumor dela era do tipo HER2 (um subtipo especial de câncer de mama). A minha indicação foi começar com quimioterapia associada a um medicamento chamado Herceptin (anticorpo monoclonal que é um tratamento super eficaz para os tumores HER2) antes da cirurgia, a fim de reduzir o tamanho da lesão e tentarmos preservar a mama, e assim foi feito.
Começamos com a quimioterapia, o cabelo caiu e com isso a sensação de estar realmente doente veio à tona para a paciente. Ao longo da quimioterapia, fizemos várias pesquisas genéticas para avaliar se havia alguma mutação que predispusesse o câncer (as mais conhecidas são as mutações dos genes BRCA 1 e 2), mas nenhuma mutação foi encontrada. O tumor respondeu de forma muito satisfatória na mama e parcialmente na axila. Ao final da quimioterapia, chegou o momento da cirurgia. A paciente me perguntava se seria ou não possível preservar a mama.
Empregando modernas técnicas de cirurgia oncoplástica, realizamos a cirurgia da mama com preservação da mesma e alinhamento da outra mama para proporcionar melhor equilíbrio corporal e melhor simetria.
No dia do primeiro curativo, a paciente estava na expectativa de ver o resultado da cirurgia, e ela ficou muito feliz por ter tido a mama preservada e a mesma estar de bom aspecto, ainda que com os hematomas e edema decorrente da recente cirurgia.
No dia da segunda consulta pós-operatória, foi a vez de verificar o laudo anatomopatológica da cirurgia: um tumor residual de 3 cm com margens livres (antes era 8 cm) e ainda um gânglio positivo na axila. Ainda era momento ainda de agonia e incertezas.
Seguimos o tratamento com o uso do Herceptin, até completar 1 ano do início da quimioterapia. Nisso, a paciente realizou radioterapia.
O tempo se passou, o cabelo cresceu, e a paciente estava satisfeita com o resultado da cirurgia. As esperanças e os sonhos reaparecerem, mas ela ainda tinha preocupação se poderia ficar grávida ou não.
Quando a cirurgia completou 2 anos, a paciente já tinha 38 anos de idade, e estava em ótimas condições clínicas, sem nenhuma evidência de atividade tumoral. Perguntou para mim: “Dr., posso ficar gravida?”
Assim, fizemos uma junta médica e a liberamos para engravidar. Após alguns meses, a ex-paciente nos procurou superfeliz com o resultado positivo de gravidez. A espera do bebê transcorreu sem problemas: ela teve o filho que tanto queria, conseguiu amamentar com a mama que não teve o câncer (a mama que teve o câncer, apesar de ter sido preservada, em decorrência dos efeitos da radioterapia, não produzia leite de forma satisfatória). Ela está feliz até hoje, 5 anos após o diagnóstico, e diz que o câncer a fez uma pessoa mais forte.
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