Escitalopram Engorda? Entenda Por que o Peso Pode Aumentar Durante o Tratamento
O escitalopram pode estar associado a alterações de peso em algumas pessoas, mas não é possível afirmar que todo ganho de peso durante o tratamento seja causado exclusivamente pelo antidepressivo. Alimentação, nível de atividade física, melhora ou piora do quadro emocional, outros medicamentos e condições de saúde também podem influenciar.
Se o peso começou a aumentar depois do início do escitalopram, principalmente de maneira persistente, a melhor conduta é conversar com o médico responsável antes de fazer qualquer mudança. O escitalopram não deve ser interrompido, reduzido ou substituído por conta própria.
Conteúdo baseado em respostas de médicos do BoaConsulta
Este artigo foi elaborado a partir de uma dúvida real enviada ao serviço de Perguntas e Respostas do BoaConsulta sobre ganho de peso durante o tratamento com escitalopram. As explicações incluem orientações publicadas por médicos cadastrados na plataforma, e o perfil de cada profissional citado pode ser consultado diretamente no marketplace do BoaConsulta.
Escitalopram engorda?
O ganho de peso pode ocorrer durante o tratamento com escitalopram em algumas pessoas, mas não acontece com todos os pacientes.
O escitalopram pertence ao grupo dos antidepressivos conhecidos como inibidores seletivos da recaptação de serotonina, ou ISRS. Esses medicamentos modificam a disponibilidade de serotonina no sistema nervoso e são utilizados principalmente no tratamento de transtornos depressivos e de ansiedade.
Na pergunta publicada no BoaConsulta, diferentes médicos chamaram atenção para o fato de que a resposta pode variar de uma pessoa para outra.
A médica Luiza Rabello De Paula Carvalho destacou:
“O escitalopram pode causar ganho de peso, sim.”
Isso, porém, não significa que o medicamento seja automaticamente o responsável sempre que existe aumento de peso.
Por que algumas pessoas ganham peso tomando escitalopram?
O peso corporal é influenciado por diversos fatores, e alguns deles podem mudar durante um tratamento psiquiátrico.
Uma possibilidade é ocorrer alteração do apetite. Algumas pessoas percebem mais fome ou mudanças no padrão alimentar durante o tratamento. Em outros casos, a própria melhora dos sintomas de ansiedade ou depressão pode fazer com que o apetite retorne depois de um período em que a pessoa se alimentava menos.

Há ainda fatores que não têm relação direta com o antidepressivo, como redução da atividade física, alterações do sono, mudanças hormonais, consumo de alimentos mais calóricos, uso de outros medicamentos e determinadas condições clínicas.
Por isso, a médica Marina De Assis Delmonte reforçou na resposta publicada no BoaConsulta:
“Muitas variáveis estão envolvidas no processo de ganho de peso, como alimentação e práticas de atividades físicas.”
Esse é um ponto importante. A relação entre antidepressivo e peso precisa ser analisada dentro do contexto completo do paciente.
Estou tomando escitalopram há seis meses e só engordo. O que pode estar acontecendo?
Quando o ganho de peso aparece após alguns meses de tratamento, vale observar quando a mudança começou, quanto o padrão alimentar se modificou, se houve alteração na atividade física e se outros medicamentos foram iniciados no mesmo período.
Também é importante considerar se houve melhora dos sintomas psiquiátricos.
Imagine, por exemplo, uma pessoa que antes do tratamento estava muito ansiosa ou deprimida e havia perdido o apetite. Quando seu estado emocional melhora, a alimentação pode voltar ao padrão anterior ou até aumentar. Nesse caso, parte da recuperação do peso pode coincidir com o uso do medicamento sem necessariamente representar um efeito colateral isolado.
Por outro lado, algumas pessoas realmente percebem aumento de peso durante o tratamento.
A médica Mariana Campello De Oliveira resumiu bem essa necessidade de investigação:
“O escitalopram pode ter como efeito colateral ganho de peso, é necessário conversar com seu psiquiatra para reavaliar outras causas.”
Portanto, depois de seis meses de tratamento, a questão mais importante não é simplesmente perguntar se o remédio “engorda”, mas entender o que mudou no organismo e na rotina ao longo desses seis meses.
Por que alguns médicos dizem que escitalopram engorda e outros dizem que não?
Essa diferença aparece inclusive nas respostas publicadas na própria plataforma do BoaConsulta.
Enquanto alguns profissionais apontaram o ganho de peso como uma possibilidade, outros ressaltaram que o escitalopram não costuma provocar esse efeito de maneira isolada.
O médico Edson Barroso Dos Santos Junior, por exemplo, respondeu:
“O escitalopram não tem essa tendência de engordar, precisamos ver a quantidade de miligramas e o contexto em geral.”
Já a médica Anne Muscalu Raicher destacou a variabilidade entre os pacientes:
“Alguns pacientes realmente podem aumentar o peso com essa medicação.”
Dra. Anne Muscalu Raicher
As duas colocações não precisam ser interpretadas como totalmente incompatíveis.
O ponto central é que o efeito não é igual em todas as pessoas. Alguns pacientes podem perceber alteração de peso durante o uso, enquanto outros permanecem estáveis ou apresentam mudanças por motivos diferentes.
É justamente por isso que a avaliação individual é mais importante do que uma resposta absoluta como “escitalopram sempre engorda” ou “escitalopram nunca engorda”.
Escitalopram pode aumentar o apetite?
Pode haver alteração do apetite durante o tratamento, mas novamente essa resposta varia.
É importante observar não apenas se existe mais fome, mas também se ocorreram mudanças específicas, como vontade maior de consumir doces, comer em horários diferentes, beliscar durante o dia ou aumentar o tamanho das porções.
O estado emocional também interfere no comportamento alimentar.
Ansiedade e depressão podem tanto reduzir quanto aumentar o apetite. Quando o tratamento modifica esses sintomas, a relação da pessoa com a alimentação também pode mudar.
Por isso, avaliar o peso sem analisar o comportamento alimentar pode deixar de fora uma parte importante da explicação.
O metabolismo fica mais lento com escitalopram?
Não é adequado assumir automaticamente que o escitalopram “desacelera o metabolismo” sempre que há ganho de peso.
O metabolismo corporal depende de uma combinação de fatores, incluindo idade, composição corporal, atividade física, alimentação, sono, hormônios e condições clínicas.
Se o aumento de peso for importante, progressivo ou difícil de explicar, o médico pode considerar se existe necessidade de investigar outras causas.
Dependendo do caso, essa avaliação pode incluir histórico alimentar, outros medicamentos utilizados, padrão de atividade física e exames laboratoriais.
O objetivo é evitar que todos os quilos ganhos sejam atribuídos ao antidepressivo sem uma investigação adequada.
Devo parar o escitalopram se estiver engordando?
Não pare o escitalopram por conta própria.
Mesmo quando existe suspeita de que o medicamento esteja contribuindo para o ganho de peso, a decisão de reduzir a dose, substituir o antidepressivo ou manter o tratamento deve ser tomada juntamente com o médico.
A médica Deborah Fabiana Furuno reforçou na plataforma:
“O melhor é falar com seu psiquiatra.”
Interromper um antidepressivo abruptamente pode provocar sintomas relacionados à descontinuação e também favorecer o retorno ou agravamento do transtorno que estava sendo tratado.
Por isso, mesmo que o ganho de peso esteja incomodando, não faça mudanças sozinho.
Posso trocar o escitalopram por outro antidepressivo?
Em alguns casos, o médico pode considerar uma mudança, mas isso depende de uma avaliação individual.
Não existe um antidepressivo ideal para todas as pessoas. Uma medicação pode funcionar muito bem para controlar ansiedade ou depressão e, ao mesmo tempo, provocar um efeito adverso difícil de tolerar. Outra pode ter um perfil diferente de efeitos colaterais, mas não produzir o mesmo resultado para aquele paciente.
A própria Anne Muscalu Raicher destacou essa necessidade de individualização:
“No seu caso precisaria de uma avaliação para ver se tem outros fatores que estejam influenciando no seu peso.”
Dra. Anne Muscalu Raicher
Antes de substituir o medicamento, o médico pode avaliar se o escitalopram está funcionando para o problema que motivou o tratamento, qual foi o ganho de peso, quando ele começou e quais alternativas fariam sentido.
Reduzir a dose ajuda a emagrecer?
Não necessariamente.
Modificar a dose apenas com o objetivo de perder peso pode comprometer o controle dos sintomas psiquiátricos e não garante que o peso volte ao nível anterior.
Na pergunta publicada no BoaConsulta, Jofman Amorim Leite Da Silva também chamou atenção para a importância de uma nova avaliação:
“Nesse caso é necessário uma nova avaliação e rever doses e medicações.”
A frase deve ser interpretada como orientação para reavaliação médica, e não como recomendação para o próprio paciente modificar a dose.
O que o médico pode avaliar quando há ganho de peso?
A consulta pode ajudar a reconstruir a evolução desde o início do tratamento.
O profissional pode perguntar qual era o peso antes do escitalopram, quando o aumento começou, se houve mudança no apetite, como está o sono, se a pessoa pratica atividade física e se outros medicamentos foram iniciados.

Também é importante informar se existem sintomas associados, como cansaço excessivo, alterações menstruais, inchaço, mudanças intestinais ou outras manifestações novas.
Dependendo do histórico, o médico poderá decidir se existe necessidade de investigar condições metabólicas ou hormonais.
A avaliação não deve se limitar à balança. O benefício que o antidepressivo trouxe para a saúde mental também precisa fazer parte da decisão.
Alimentação e atividade física podem ajudar?
Uma alimentação equilibrada e a prática regular de atividade física são importantes para a saúde geral e podem ajudar no controle do peso.
Entretanto, esse tipo de orientação não deve ser usado para responsabilizar o paciente pelo efeito de um tratamento.
Se uma pessoa percebeu mudança significativa de peso depois de começar um medicamento, a situação merece ser ouvida e avaliada.

O acompanhamento de um nutricionista também pode ser útil quando existem mudanças importantes no apetite, dificuldade para controlar a alimentação ou necessidade de organizar uma estratégia nutricional compatível com o tratamento.
Confira também nosso post sobre: A Importância da Atividade Física no Tratamento da Artrose no Joelho!
Quando o ganho de peso merece atenção?
Um aumento progressivo e persistente do peso merece ser discutido com o médico, principalmente quando começa após uma mudança de tratamento ou acontece sem uma explicação clara.
A avaliação também é importante se o ganho vier acompanhado de inchaço significativo, falta de ar, fraqueza intensa ou outros sintomas novos.

Nessas situações, não é adequado concluir sozinho que o antidepressivo é necessariamente a causa.
Também é importante procurar ajuda rapidamente caso haja piora importante da depressão, pensamentos de autoagressão ou suicídio, agitação intensa ou mudança significativa do comportamento.
Como conversar com o psiquiatra sobre o ganho de peso?
Vale chegar à consulta com algumas informações organizadas.
Você pode informar aproximadamente quanto pesava antes de iniciar o tratamento, quanto pesa atualmente, quando percebeu a mudança e se houve alteração no apetite ou na rotina.
Também conte sobre medicamentos, suplementos ou hormônios utilizados no mesmo período.
Em vez de apenas perguntar “posso parar o remédio?”, uma pergunta mais útil pode ser:
“O ganho de peso pode estar relacionado ao meu tratamento ou precisamos investigar outras causas?”
Isso permite que a decisão considere tanto o efeito sobre o peso quanto a resposta do quadro psiquiátrico.
O escitalopram está funcionando. Mesmo assim vale conversar sobre o peso?
Sim.
Não é necessário escolher entre cuidar da saúde mental e cuidar da saúde física.
Se o antidepressivo está trazendo benefícios, essa informação é importante. Da mesma forma, se um efeito adverso está prejudicando o bem-estar, ele também precisa ser considerado.
O objetivo do tratamento é encontrar um equilíbrio entre eficácia, segurança e qualidade de vida.
A médica Marina De Assis Delmonte resumiu esse princípio ao recomendar:
“Sugiro que passe em uma consulta psiquiátrica para melhor avaliação de seu caso.”
Então, escitalopram engorda ou não?
A resposta mais adequada é: pode estar associado a ganho de peso em algumas pessoas, mas o efeito não é universal e nem todo aumento de peso durante o tratamento é provocado diretamente pelo medicamento.
Quando o peso aumenta de maneira persistente depois do início do escitalopram, é importante avaliar o contexto completo.
Alimentação, atividade física, evolução do transtorno psiquiátrico, outros medicamentos, condições clínicas e resposta individual precisam ser considerados antes de decidir se o tratamento deve ser alterado.
Se você está tomando escitalopram e percebeu um ganho de peso que está incomodando, converse com o profissional responsável. Não interrompa nem modifique o antidepressivo por conta própria.
No BoaConsulta, você pode encontrar profissionais de saúde e buscar uma avaliação de acordo com a sua necessidade.
Aviso importante
Este conteúdo possui finalidade exclusivamente educativa e informativa. Ele não substitui consulta, diagnóstico, prescrição ou orientação individual de um profissional de saúde. Não suspenda, reduza, aumente ou substitua o escitalopram ou qualquer outro antidepressivo por conta própria.
Se você estivar sentindo algo diferente em seu corpo, lembre-se que aqui no BoaConsulta você encontra os melhores médico clínicos gerais, para consultas presenciais ou online!
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