Queda em Idosos


 

Sabemos que o envelhecimento traz várias alterações anatômicas e fisiológicas e que estas alterações tornam o paciente idoso mais frágil e, desta forma, mais propenso a sofrer quedas.

No Brasil, 30% dos idosos caem ao menos uma vez ao ano, sendo que 5% das quedas resultam em fraturas, 5% a 10% em ferimentos importantes necessitando cuidados médicos, e 12% resultam em óbitos.

 

Ocorrência de quedas por faixas etárias a cada ano:

-32% em pacientes de 65 a 74 anos;

-35% em pacientes de 75 a 84 anos;

-51% em pacientes acima de 85 anos.

 

CAUSAS:

A queda é um evento de causa multifatorial de alta complexidade terapêutica e de difícil prevenção, exigindo dessa forma uma abordagem multidisciplinar.

As causas podem ser classificadas de natureza intrínseca (relacionada com o indivíduo), ou extrínseca (relacionada com o ambiente).

 

Os fatores intrínsecos incluem alterações fisiológicas relacionadas ao envelhecimento, doenças e medicamentos que acarretam risco de queda para os idosos, como por exemplo:

– Diminuição da visão (redução da percepção de distância e visão periférica e

adaptação ao escuro).

– Diminuição da audição (não ouve sinais de alarme).

– Distúrbios vestibulares (infecção ou cirurgia prévia do ouvido, vertigem posicional

benigna).

– Distúrbios proprioceptivos (há diminuição das informações sobre a base de sustentação).

– Aumento do tempo de reação a situações de perigo.

– Diminuição da sensibilidade dos baroreceptores à hipotensão postural.

-Distúrbios músculo-esqueléticos: degenerações articulares (com limitação da amplitude dos movimentos), fraqueza muscular (diminuição da massa muscular).

– Sedentarismo.

– Deformidades dos pés.

 

Os fatores extrínsecos incluem perigos ambientais, como chão escorregadio e áreas pouco iluminadas. Mais de 70% das quedas ocorrem em casa, sendo que as pessoas que vivem só apresentam risco aumentado.

– Iluminação inadequada;

– Superfícies escorregadias;

– Tapetes soltos ou com dobras;

– Degraus altos ou estreitos;

– Obstáculos no caminho (móveis baixos, pequenos objetos, fios);

– Banheiros;

– Prateleiras excessivamente baixas ou elevadas;

– Calçados inadequados e/ou patologias dos pés;

– Maus-tratos;

– Roupas excessivamente compridas;

– Via pública mal conservada com buracos ou irregularidades.

 

REPERCUSSÕES

Para uma pessoa idosa, a queda pode assumir significados de decadência e fracasso gerados pela percepção da perda de capacidades do corpo, potencializando sentimentos de vulnerabilidade, ameaça, humilhação e culpa. A resposta depressiva subseqüente é um resultado esperado.

Aqueles que sofrem quedas apresentam um grande declínio funcional nas atividades de vida diária e nas atividades sociais, com aumento do risco de institucionalização.

 

FISIOTERAPIA

O objetivo é manter a capacidade funcional da pessoa, a manutenção e melhora das habilidades físicas e mentais, prosseguindo com uma vida independente e autônoma dentro do possível.

A fisioterapia é importante para que estes pacientes consigam superar as constantes ameaças ao seu equilíbrio, não só melhorando suas capacidades funcionais como também lhes conscientizando de suas limitações. Além disso, o fisioterapeuta pode sugerir algumas alterações nos lares dos idosos para lhes conferir maior segurança, para que não venham a sofrer uma nova queda.

Os principais objetivos fisioterapêuticos aplicados a essas pessoas da terceira idade são:

-Melhorar a capacidade do indivíduo para resistir às ameaças ao seu equilíbrio.
– Aumentar a segurança deste indivíduo em seu ambiente e cotidiano.

– Recuperar a confiança do paciente e das pessoas cuidadoras deste, no que diz respeito a sua capacidade de se locomover da maneira mais segura, independente e eficaz em seu ambiente.

 

Escritos pelo Fisioterapeuta Maurício Garcia, do Instituto Cohen

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