Por que o chocolate vicia?

Chegou a Páscoa – e, com ela, está aberta oficialmente a temporada mais chocólatra do ano. A universidade de Harvard levantou a questão: uma pessoa pode realmente se viciar em chocolate?

O vício tem três componentes essenciais: desejo intenso, perda de controle sobre o objeto desejado e uso contínuo mesmo com as consequências ruins ou desagradáveis.

Vários estudos mostraram que as pessoas podem, sim, ter esses sintomas de vício com relação à comida. Assaltos à geladeira para devorar um pote de sorvete são comuns, mas provavelmente você não conhece ninguém que acordou de madrugada para comer um talo de salsão. Isso acontece porque os alimentos ricos em açúcar e gordura- como o chocolate – funcionam como recompensas para o cérebro. Em animais, por exemplo, a restrição a esses alimentos provocou estresse – e isso é um sinal de vício.

Pesquisadores da Universidade de Yale estudaram possíveis chocólatras. Eles preencheram um formulário com detalhes do vício e, então, tiveram de ver, cheirar e finalmente beber um milkshake. Seus cérebros foram escaneados – os participantes que tinham sinais de vício mostraram mais atividade na área cerebral que regula o desejo e a recompensa. Quando eles puderam beber o milkshake, a área cerebral responsável pelo impulso para conseguir recompensas se acalmou. É o mesmo que acontece com viciados em drogas. A mesma relação foi estabelecida por pesquisadores da Universidade Drexel.

O desejo incontrolável muitas vezes é relacionado à obesidade – e ao estresse (também o mesmo que acontece com outros vícios, como bebidas e cigarros). Mesmo assim há algumas diferenças importantes entre o vício em comida e os outros – o principal deles, é claro, é que ninguém sobrevive sem comer.

A recomendação dos especialistas é a mesma de sempre: é preciso moderação. As pessoas devem prestar atenção em suas escolhas diárias – e quando bater o impulso de devorar o ovo de páscoa, é melhor tomar uma decisão consciente sobre a quantidade e a qualidade do alimento. Se quiser comer, coma com prazer, aproveitando cada mordida e mastigando devagar para estender os momentos de prazer. E isso, dizem os médicos, vale para qualquer prazer.

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