Plante seu próprio medicamento

Sabe qual a nova estratégia do governo americano para combater epidemias do vírus H1N1? Plantar vacina. A técnica é conhecida como pharming (palavra que resume o termo inglês pharmaceutical farming, algo como lavoura farmacêutica). No pharming, medicamentos são cultivados do mesmo modo que frutos e vegetais em uma fazenda. Pode parecer uma ideia revolucionária, mas ela não é nova. E teve origens bem inusitadas.

No final de 1980, o dentista Julian Ma teve uma ideia enquanto observava a boca aberta de seus pacientes: e se eu desenvolvesse um meio de eliminar bactérias que causam cáries, mas que não afetasse os outros microrganismos da boca? A resposta imaginada por Ma foi uma pasta de dente composta com anticorpos contra as bactérias da cárie. O problema era que apenas seres vivos são capazes de desenvolver esses anticorpos. O método tradicional de sintetizar elementos químicos usado pela indústria farmacêutica não resolvia o problema dele. A sacada de Ma de nada serviu. Até 1990, quando um time de cientistas da Califórnia conseguiu desenvolver uma planta capaz de produzir anticorpos. Nascia a técnica do pharming.

De lá para cá, o pharming veio se transformando gradativamente de uma técnica cara e complexa para um meio prático e eficiente de desenvolver drogas. Tanto que especialistas na área acreditam que o método pode ser de 10 a 20 vezes mais barato que os meios tradicionais. A empresa Medicago, do Quebec, recebeu investimento do departamento de defesa americano para montar uma estrutura capaz de produzir 10 milhões de doses de vacina por mês. E o próprio Julian Ma hoje em dia lidera o Pharma-Planta, um consórcio de indústrias de pesquisa farmacêutica para produzir drogas contra o HIV por meio da técnica de pharming. Se Ma for bem sucedido, drogas contra HIV vão ser produzidas dentro de plantas de fumo. Quem diria: o tabaco um dia poderá fazer o bem.

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