“Mito ou verdade?”: Meditar faz bem à saúde

Sente-se com a coluna ereta, mantenha as mãos junto ao corpo, fixe a atenção em um ponto visual qualquer (ou em sua respiração) e tente não pensar em mais nada. “Você iniciará uma expedição aos lugares mais recônditos de sua mente”, afirma o professor de meditação budista Alan Wallace. O hábito da meditação é uma tradição oriental milenar repleta de significados religiosos e culturais. Sua prática exige alguma disciplina, mas está ao alcance de qualquer pessoa com força de vontade suficiente para aprimorar a própria concentração. “O treino meditativo nos permite transformar a própria mente e superar emoções destrutivas”, diz o monge budista Matthieu Ricard. “Os métodos de concentração profunda que o Budismo desenvolveu durante séculos podem ser usados e incorporados por qualquer pessoa”, afirma.

Os benefícios da meditação são bem conhecidos pelo público em geral. Afirma-se que o hábito traz mais clareza de raciocínio, estabilidade emocional e bem-estar corporal. Mas será que os efeitos positivos do ato de meditar têm algum fundamento científico? Com essa questão em mente, pesquisadores do mundo inteiro atualmente observam pessoas meditando dentro de laboratórios científicos. E os resultados têm sido bastante esclarecedores.

O cientista Clifford Saron, acompanhado de um time de neurocientistas e psicólogos do Centro de Estudos para a Mente e Cérebro da Universidade da Califórnia (EUA), monitorou 60 pessoas em um retiro para meditação nas Montanhas do Colorado durante 3 meses. Ele analisou todas as mudanças cognitivas, psicológicas e fisiológicas pelos quais os participantes passaram no período. Para mensurar o grau de atenção das pessoas, mediu diariamente o tempo que levavam para perceber uma linha vertical de tamanho diferente numa tela de computador. Durante o retiro, todo participante praticava ao menos 5 horas diárias de meditação. Saron percebeu que, conforme o tempo passava, os integrantes se tornavam mais rápidos em identificar a linha e tinham mais facilidade para manter a atenção na tarefa. Outro estudo que envolveu a relação entre meditação e atenção foi feito por Antoine Waisman, do laboratório Waisman de Imagem Cerebral e Comportamento. A pesquisa contatou que, depois de 3 meses praticando meditação intensiva, pessoas se tornavam capazes de distinguir sons musicais com mais exatidão e velocidade.

Mas de que modo prestar atenção a um ponto fixo ou a um padrão respiratório específico poderia melhorar a concentração e a cognição? A chave para essa resposta pode estar em uma parte bem específica aí dentro da sua cabeça: a memória operacional. Esse tipo de memória se relaciona com habilidades mentais de curto-prazo, como guardar dígitos de telefone por certo período de tempo na memória, por exemplo. Muitos cientistas hoje acreditam que praticar meditação equivale a matricular a memória operacional em uma espécie de academia cerebral. Isso porque a meditação estimula a observação atenta de mudanças sensoriais a todo instante. Enquanto uma pessoa medita, ela se mantém em um fluxo de constante de informações corporais e sensitivas que geralmente são ignoradas fora do estado meditativo. Apesar de o corpo estar relaxado e calmo, dentro da memória operacional, os neurônios localizados na memória operacional permanecem em intensa atividade, como numa sessão de malhação prolongada.

Outro efeito cerebral bastante importante foi descoberto enquanto a cientista Julie Brefczynski-Lewis, da Universidade de West Virginia (EUA), observava pessoas meditando dentro de máquinas de ressonância magnética funcional. Ela descobriu que a amídala cerebral – parte cerebral com um papel crucial no processamento de emoções e memórias emotivas – apresenta muito menos atividade elétrica em pessoas com muita experiência em meditação. O resultado indica que as pessoas que meditam tendem a ter mais controle emocional, o que gera impacto direto na saúde física. A melhora na habilidade de gerenciar sentimentos que o hábito da meditação propicia a seus praticantes já se provou eficaz no tratamento de desordens alimentares, abuso de drogas, psoríase, depressão recorrente e até dores crônicas. De acordo com a ciência, a meditação faz bem não apenas a sua mente. Ela melhora a saúde global do seu corpo.

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