Falta de carne é causa de anemia desde a Idade da Pedra

 

Paciente: uma criança de 2 anos em fase de desmame. Diagnóstico: osteosporose simétrica, anemia e falta de vitaminas B12 e B9. Data de óbito: 1,5 milhão de anos atrás. Causa mortis: desnutrição.
Sabemos tanto sobre a criança descrita acima por conta de um pedaço de crânio descoberto na Tanzânia e analisado por cientistas da Universidade  de Colorado, EUA, em associação com outros institutos. Em estudo publicado ontem, dia 3 de outubro, no periódico científico PLOS ONE, os pesquisadores apontaram que a osteoporose de que sofria a criança era causada por  uma anemia severa.
A parte revolucionária da descoberta, no entanto, é a de que tal anemia foi criada por conta da interrupção abrupta de ingestão de carne. Isso é importante porque demonstra que hominídeos já dependiam de uma dieta com doses regulares de proteína animal bem antes do que se pensava. Isso suporta a teoria de que comer carne regularmente foi condição essencial para nossos antepassados desenvolverem cérebros extraordinariamente grandes e poderosos, dando origem aos Homo Sapiens, ou seja, aos humanos modernos.
À pobre criança ancestral, faltaram as proteínas, gorduras e aminoácidos provindos da carne os quais seu corpo necessitava para construir funções básicas. Se fosse geneticamente mais próxima dos grandes símios, como gorilas e chimpanzés, não teria uma demanda nutricional tão específica e exigente e talvez conseguisse se salvar. Tampouco  teria sido uma cápsula do tempo com mensagem tão importante, mais de um milhão de anos no futuro.

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